“Ganó el Peor”
Nos anos 50 havia no Brasil um técnico paraguaio chamado Fleitas Solich. Ficou famoso por dar um tricampeonato carioca (1953/1954/1955) ao Flamengo, além do Torneio Rio-São Paulo de 1961, e de ter sido, depois de Flávio Costa, o técnico que trabalhou por mais tempo no clube.
Homem extremamente educado, Fleitas Solich não gostava de se queixar de derrotas, reclamar de juiz e de adversários ou menosprezá-los. Quando seu time (aí incluindo muitos outros por que passou no Brasil, além do Flamengo) perdia uma partida e ele era abordado por repórteres para saber se tinha alguma queixa da arbitragem ou do adversário, como um pênalti mal marcado ou um gol impedimento, invariavelmente respondia:
“Ganó el mejor”.
Estávamos conversados Nenhuma queixa, nenhuma reclamacão. Para Fleitas Solich, o melor sempre ganhava.
Nesta Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos, a opinião da crítica é unânime. Ganhou o melhor time, a Espanha.
Mas o verdadeiro vencedor não foi o “melhor”. Ou seja, a Espanha. O verdadeiro vencedor foi o “pior”.
No caso, o negócio das apostas, das “bets” que hoje se tornaram uma praga mundial. Nos Estados Unidos, e falando apenas do mês de junho, pois as estatíticas de julho ainda não estão prontas, foram movimentados 50 bilhões de dólares em apostas. Mas uma informação já é conhecida: a final, no dia 19 de julho, movimentou mais de 5 bilhões e 690 milhões de dólares apenas em um quesito: quem seria o vencedor.
Isto sem contar uma outra infinidade de outras apostas que se podem fazer: cartões vermelhos, amarelos, escanteios, gols, etc. etc.
É uma praga mundial, que também crescentemente afeta o Brasil.
Nesta Copa do Mundo o verdadeiro vencedor foi o pior. O jogo. Não o jogo de futebol, mas o jogo de azar. Palavra esta, azar, que por sinal a indústria de apostas não gosta de usar, porque ele, a indústria de apostas, sempre ganha.